Tapionzetmarton

Que porra de nome é esse? Num caminho imaginário, você se depara com várias coisas que, ali, parecem concretas: idéias, sonhos, opiniões. Você vê de tudo neste caminho, a grande maioria bizarrices. Eis que cruza seu caminho uma ovelha negra, com vontade de contar tudo, e com uma certa esperança de que seja você a pessoa que vai entendê-la. Depois de tanta insanidade neste mundo fictício, o momento do encontro com a ovelha chegou.

08 abril 2007

Funeral Blues

A quem interessar possa, amanhã eu traduzo. Hoje não porque tenho que dormir, mas queria logo postar esse texto.

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message She is Dead.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

She was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.

Pronto, tô traduzindo. Brigadão pela fonte, Mattuza! Show de bola!

Parem todos os relógios, cortem o telefone,
Impeçam o cão de latir com seu osso suculento,
Silenciem os pianos e abafem os tambores
Tragam o caixão, deixem os celebrantes passarem.

Deixem os aviões circularem lamentando-se ao alto
Rabiscando no céu a mensagem "Ela está morta"
Coloquem arcos negros em torno dos pescoços brancos dos pombos,
Deixem os guardas de trânsito vestirem luvas de algodão

Ela era meu Norte, meu Sul, meu Leste e meu Oeste,
Meu trabalho da semana e meu descanso de domingo,
Meu meio-dia, minha meia-noite, minha conversa, minha música,
Eu pensei que o amor durasse pra sempre: Eu estava errado

As estrelas não são bem-vindas agora; retirem cada uma,
Embrulhem a lua e desarmem o sol,
Deixem vazar o oceano e varram as florestas;
Pois nada agora pode trazer algo de bom.

05 abril 2007

Post temporário

Membrana essa que é a retina, retendo das noites da minha vida as raras estrelas que perduram; tela escurecida pela solidão, que de repente se ilumina. Os anos passam e tudo se consome, menos o gesto congelado. Um gesto parou no ar. Relâmpagos. Imóvel, antecipando minha aurora de outono, encanto quebrado, tudo inútil... E teria sido tão fácil: a mim bastava ficar contigo, mais um minuto, num último abraço entre lençóis manchados. Não pedi flores. Nem café. Só um ADEUS decente

Só um desabafo

Vou tentar escrever sobre algo indescritível.
Agora, são exatamente 2130h da noite de 04/04/07. Quarta-feira. Faz uma semana que não consigo encontrar sentido nas coisas que faço e deixo de fazer. Estou ouvindo o jogo do Coxa contra a Ulbra-RO pela Copa do Brasil. Desde quarta passada, já fui no teatro 3 vezes, num show de humor stand-up, no show do Oficina G3, no Cojeffta, na reunião do Movimento Separatista O Sul é Meu País, tô trabalhando desde segunda, estudei, fiz prova, joguei bola agora há pouco. Rir, torcer, pular, rezar, idealizar, exercitar, tudo isto está incompleto. Em nenhuma dessas atividades eu estava presente por completo, apenas uma parte de mim. A outra parte está perdida em algum lugar. E só volta quando a única pessoa responsável por ela voltar.
Como falar em amanhã? Quando criança, eu vivi sem sonhos, sem um objetivo. Vivendo apenas segundo o que a sociedade dizia que uma criança da minha idade devia fazer. Com 20 anos eu fui entender o quanto um sonho é importante. E isso mudou meu modo de viver, meus conceitos, minha postura com relação às situações que o mundo oferece. Agora, em vias de completar 22 anos, volto ao ponto que permaneci por grande parte da minha vida: Meus sonhos não existem mais ou tornaram-se inviáveis. Terminar a faculdade, consolidar uma carreira e manter a minha vida e da minha família? Grande coisa, isso não é sonho, isso é uma obrigação de um mortal, realização social e só. Não há nada de especial em meus objetivos, não tenho metas ambiciosas, tampouco os famigerados sonhos. O que vou fazer amanhã? Nada de mais, apenas o que é esperado de mim, sendo eu alguém nada especial em termos profissionais nem pessoais. Ainda menos agora, que estou sozinho no meio dessa multidão.
Eu sei que meus amigos de verdade – aqueles que citei no último post, entre outros – não vão gostar destas palavras. Inclusive, espero que não leiam, isso é só um desabafo. Mas eles hão de saber o quanto eu valorizo uma amizade, desde sempre. Aliás, gostaria de citar o que considero uma diferença entre amor e amizade. Creio que amor é o sentimento perfeito, no qual a grande satisfação é ver alegria, conforto, paz, serenidade, enfim, tudo correndo bem na vida da pessoa amada. É dar sem esperar receber. É apoiar sem esperar ser apoiado. É esquecer de si quando a necessidade do outro é gritante. É algo que vai, e não precisa voltar. E o fato de não voltar não muda em nada este sentimento, esta doação. Quando volta, está caracterizada a amizade.
E quanto àquilo que é algo como, digamos, uma propriedade abstrata? Aquela música que marca um momento, aquela palavra cuja presença é equivalente à presença de outra pessoa, aquele lugar que você volta pela nonagésima sétima vez no mesmo dia apenas pra tentar lembrar como você se sentiu naquele dia exatamente ali. Como utilizar esta música, esta palavra, este lugar com qualquer outra pessoa que não seja a dona da situação que ela representa? Qual seria o grau de frieza que a gente precisa pra cantar, escrever ou ir sem sequer lembrar de tudo que aquilo representou? Ou, talvez, não tenha realmente representado. Exemplo? Como eu vou olhar pra Lua, ouvir Busca Vida ou Los Hermanos, dizer “melhor agora”, sem pensar em... mim?!
Esta semana me fez pensar no significado da palavra “adeus”. Não é tchau, não é até logo, não é qualquer despedida. É adeus. É fim. É um ponto no espaço-tempo que gera conseqüências, deixa marcas. Pode abrir uma ferida que não cicatriza, pode criar um sentimento de liberdade. Pode destruir projetos, pode oferecer novas possibilidades. Mas é sempre a página do livro que vem logo antes da contra-capa. Mas, no meu caso, encontrei um jeito diferente de encarar estas cinco letras: separando a primeira. Sim, foi triste, foi um adeus, foi “não poder sustentar nem mesmo uma amizade”. Mas também foi me permitir esquecer que o quão ruim é perder quem se ama sem saber o que fiz pra merecer esta perda, o quanto estas palavras machucam enquanto ecoam vinte e quatro horas por dia na minha cabeça. Principalmente, foi entregar “A DEUS”. E, baseado no que eu acabei de escrever, não deixar de amar. E eu amo.
Por fim, eu sei muito bem que DEUS podia ter criado o mundo em apenas um segundo. Mas ele preferiu fazê-lo em sete dias. Ou seja, Ele sabe o tempo que as coisas devem tomar até que se estabeleça a perfeição de Sua obra.

02 abril 2007

Too

I want to fly, but it's too high
I wanted to see, but it was too soon
I want to marry in a church, but it might be too much
I want to run, but maybe I'm too dumb
I want to know, but maybe I'm too slow
I want to cry, but I'm too dry
I even want to hate, but it's too late

In fact, I just wanted to be two, but now I'm a half

Isso aí é na verdade um esboço, eu não queria perder a idéia. Vou trabalhando esse texto, e quando melhorar eu faço um upgrade... Sacaram? Upgrade!