Tapionzetmarton

Que porra de nome é esse? Num caminho imaginário, você se depara com várias coisas que, ali, parecem concretas: idéias, sonhos, opiniões. Você vê de tudo neste caminho, a grande maioria bizarrices. Eis que cruza seu caminho uma ovelha negra, com vontade de contar tudo, e com uma certa esperança de que seja você a pessoa que vai entendê-la. Depois de tanta insanidade neste mundo fictício, o momento do encontro com a ovelha chegou.

26 agosto 2007

Medalha gasta

(...)
Não era simplesmente voltar ali. Voltar, olhar, lembrar, tudo insuficiente. A sombra. Precisava da sombra da árvore exatamente naquela posição. Mas ah, os maravilhosos paradoxos da existência humana, voltar pra quê? Quê de bom guardava? Eis que algo divino, mágico, trascendental, ou como queiram definir, entrou como relâmpago em meio aos devaneios. E saiu com a mesma velocidade. O que foi aquilo, pensava. Pensei agora, neste instante, e já não consigo mais lembrar. Percebia, num dos poucos momentos maduros da vida, que não podia ser apenas uma idéia, mas sim uma vivência. E viveu alguns instantes com a árvore.
Naturalmente, o algo voltou, desta vez com vontade de fazer-se perceber. Fixou-se a idéia da essência da transformação. Por que não modificar o status quo daquele local? Com as costas tocando, em sua totalidade, a grama que acompanhava o pouco vento que se fazia presente, numa dança que intencionalmente equilibrava a imobilidade do corpo envolto em pensamentos, as pernas sem tocarem uma à outra, os braços sem tocarem o corpo, e de olhos fechados, permitia ao cérebro a viagem além dos 10%. Eis algo que menos se distancia da transcrição da dita viagem:

"Farò qualcosa per cambiare questi sentimenti. So che ricorderò ogni momento che mi ha fatto diferenza qui, ma non si lascerò essere l'unichi. Potrò fare cose qui che ricorderò certamente con piacere. Ah, voglio tanto che lei poteva essere qui... Al meno, che lei sapeva le cose che penso adesso. Ma sai quando questo sucederà? Mai. Voglio una foto di me qui, ora! Mentalmente, al meno... Pensa... Prende! Eccola! Questa foto sarà il retrato delle cose que vorrò per me: io insieme con la persona che starà con me per tutti miei giorni, me! Sarò la mia propria priorità. Sì, sì... Pace! Una musica per l'idea? Why can't tou see waht you doing to me when you don't believe a word I say... Oh, wait! There's one better than that: Her hair is soft and her eyes are also blue; she's everything a girl should be, and she's mine! She knows just how to make me laugth when I feel blue; she's everything men could want, but she's not you! Yeah, that's more! She even kisses me like you used to do; and it just breaking my heart, cos she's not you! Ow, great! One more, just one... I don't care too much for money, money can't buy me love! They already say I may not have a lot to give, what I got, I'll give to you... Genious!"
Note-se que a cena fotografada durou 70 minutos, e que tal pensamento foi construído durante cerca de 5 minutos.

Seguiram-se decisões tão simples quanto subjetivas: Levantar ou aproveitar mais um pouco? Pra que lado ir? Ligar? Pra quem? Nenhuma resposta proporcionaria tanta satisafação quanto as decisões recém tomadas. Fez-se lembrar um momento notável de Don Corleone: Que seremos nós, que tipo de criatura seremos nós se não pudermos utilizar de nosso raciocínio? Surgiu uma intriga irrelevante, por que algo que deveria ser diminuto está tomando estas proporções, que sanou-se por si só.
Dez dias se passaram antes da nova visita à árvore. Propositalmente, a sombra estava do lado oposto, e maior. Dessa feita, havia uma companhia. Metafísica.
(...)